Academia Concerto
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27 de Julho de 2010
26 de julho

Hoje o Homero começou a apertar mais durante os ensaios do Madrigal. A primeira semana sempre é uma lua de mel e a segunda semana é o cotidiano. Mas ele sabe fazê-lo sem perder a ternura e o encanto pelo trabalho.

Fui ao concerto com a cravista Mayra Pereira e a flautista doce que também toca fagote barroco Isabel Favila. Depois de mais da metade do concerto me dei conta de que a Mayra foi a cravista que nos acompanhou no madrigal em 2008 e também nas aulas de canto barroco que fiz com Pedro Cury. Ela tinha acabado de chegar da Europa onde estudou na mesma escola e com alguns dos mesmos professores que o nosso maestro Altamiro Bernades estudou anos antes.

Elas tocaram Pierre Danican Phildor (1681-1731), G. P. Telemann (1681-1767), J. S. Bach (1685-1750) e Cristoph Schaffrath (1709-1763). O barroco francês tem lá sua graça, contudo, quando não se trata de Lully ou Couperin (e mais uma meia dúzia de nomes importantes) não vemos nem ouvimos nada de realmente muito especial. Já Telemann, que seria alemão nos dias de hoje, apesar de ser o “comercial” de sua época, ou seja, de sua música ser de mais fácil compreensão dentre seus conterrâneos e contemporâneos, é impressionante a diferença de estrutura formal e composicional em relação ao primeiro compositor citado que nasceu no mesmo ano que ele. No entanto Bach sempre chega roubando a cena. Nele a estrutura ganha profundidade e significado. A peça apresentada de sua autoria foi a única para cravo solo neste concerto. Foi a Sonata em ré menos BWV 964.

Quando assistimos um concerto de cravo não podemos esperar variedade de timbre, mas, variedade de música dentro do mesmo timbre. Não sei como é possível, mas sei que ouvimos a melodia quando está na voz mais aguda, no meio ou na voz mais grave e essa sutileza que é interessante num concerto desse tipo. Quem chega com uma audição superficial corre o risco de não gostar e achar monótono. No entanto quanto maior a bagagem e a percepção musical do ouvinte maior será o aproveitamento desse concerto.

A última peça, de Schaffrath teve solo de fagote barroco. Ele tem uma sonoridade mais seca e mais leve que o fagote “atual” e pelo jeito a afinação é bem mais difícil também. Mesmo assim Isabel Favila deu show de execução e impressionou pelo entrosamento e musicalidade junto à cravista Mayra Pereira. Foi um excelente concerto!

Como sempre no final, deixo um abraço pra todos.

RODRIGO.









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