Academia Concerto
  Mail  
HOME   Blog   Localização   Contato   Cadastro   Login
22 de Julho de 2010
22 de julho

Comecei hoje a ensaiar a peça que provavelmente vou reger na apresentação da sala de regência do festival na próxima quinta-feira na parte da manhã. É o Sepulto Domino do Pe. José Maurício Nunes Garcia. Foi uma breve leitura que continuará amanhã. Quando estudo a música em quaternário o professor pede para reger em binário para dar mais fluência à peça. Quando estudo a regência em binário o professor pede em quaternário para dar mais peso e dramaticidade, ou seja, como diria minha amiga Lana: “aluno sempre entra pelo cano!” hahaha...

No madrigal apareceram mais três peças. Uma é um coral de Bach, provavelmente de alguma cantata. Não houve tempo para perguntar qual era o BWV, mas, iremos saber mais cedo ou mais tarde. Outro Purcell apareceu por lá também. É o “The bashful Thames”. Um outro inglês cujo sobrenome é Humfrey também apareceu dentre os compositores ingleses. Homero diz que não há um quarto compositor inglês...hahaha...apenas Byrd, Purcell e Humfrey. A peça dele é aquela que eu e mais dois meninos faremos os solos. Chama-se “By the waters of Babylon”. É uma peça extremamente dramática e de difícil leitura por tantos cromatismos. Aliás, este é o ano dos cromatismos! Todas as peças, com exceção do Bach, têm cromatismos complicados.

Coincidência ou não, está aí uma missão para este festival: desvendar mitos. Vários deles já foram desvendados nas outras postagens deste blog e aqui vai mais um mito por água a baixo: música da renascença e do barroco não tem dissonância...hahahaha! Basta ler e cantar um Purcell que veremos que dissonâncias não são propriedades da MPB, do jazz, da música do sec. XX, do romantismo ou do classicismo. Vemos a gênese da dissonância nos geniais compositores da renascença e por mais que ouçamos isso ou aquilo nas aulas de história, contraponto ou harmonia, não há nada como botar a mão na massa e experimentar na prática essa música que é completa e continua atual, mesmo com 600 anos de existência.

Hoje não fomos a nenhum concerto. O cansaço chegou a um limite de não conseguirmos fazer outra coisa se não dormir, mesmo porque o que vem por aí é correria para preparar as apresentações da semana que vem.

Apesar de estar muito legal tudo por aqui sinto saudades. Deixo um abraço a todos!

RODRIGO.













  5 Comentários...  
 

  Rodrigo   Jacareí - 24 de Julho de 2010
Altamiro, a afinaçaõ da espineta do Homero é 415 Hz sim. Nos primeiros dias dá uma sensação estranha de estar ouvindo tudo meio tom abaixo, mas, depois a gente passa a encarar os fatos e enxergar um Dó Maior mais escuro mesmo...rsrs!
  Rodrigo   Jacareí - SP 24 de Julho de 2010
Sem sombras de dúvida, os compositores do renascimento e do barroco tinham plena consciência do fator acústico. O lugar da realização e ao fenômeno acústico era parte da composição. O conceito de som fundia-se com a arquitetura e havia uma integração entre os elementos dentro do ritual religioso ou mesmo dentro de uma reunião social que nos faz crer que os compositores conheciam muito bem a acústica dos lugares onde realizavam suas composições, diferentemente de hoje que somos obrigados a cantar ou tocar em lugares muitas vezes impróprios para a propagação sonora musical...males dos tempos modernos. Inclusive na idade média existia um instrumentarium determinado para músicas ao ar livre e outro para lugares fechados. Quanto à sua pergunta, nunca ouvi um exemplo de composição que aproveitasse a projeção da nota emitida e o atraso da mesma para realizar uma espécie de “cânone a uma voz”. Esse atraso sonoro acontece em forma de reverberação onde a nota não se repete de maneira definida, mas, mistura-se com o som produzido como se o realimentasse, então, o efeito é muito mais timbrístico. Sei que alguns compositores como Giovanni Gabrieli ficaram famosos por espalhar coros por toda igreja para causar um efeito de “sound round” que na época era chamado de “cori spezzati”. Muitas coisas foram feitas pensando na acústica do local, mas, acredito que a propriedade mais explorada neste caso seja mesmo o timbre.
  LUCA AMORIM    Sorocaba - SP 23 de Julho de 2010
Uma curiosidade acústica: as peças eram executadas em grandes salas e igrejas onde não havia amplificação artificial. Os coros eram posicionados estrategicamente para favorecer justamente a amplificação natural do local. Por serem locais muito amplos, o tempo o qual o som chegava para a audiência era diferente nos diversos pontos do local. Quando se compunha, os músicos pensavam nisso e se aproveitavam desses tempos para produzirem efeitos na música? Imagino dentro desse raciocínio que a nota quando partia e retornava ele se harmonizava com a subseqüente em função do eco... Não sei se me fiz entender...

abraço, Rodrigo.
  Marco Asseituno   Sorocaba - SP 23 de Julho de 2010
Aprende bem ai, para você poder nos ensinar um dia....
  Altamiro Bernardes   Sorocaba - SP 23 de Julho de 2010
Uma curiosidade o Homero ensaia vocês com uma espineta (pequeno cravo que se vê nas fotos) afinada em 415 ou 440? Explicando a afinação na época era diferente da atual, quase meio tom abaixo.
Deixe seu comentário   Faça Login para ter seu comentário publicado Imediatamente
Nome
 
E-mail
 
Cidade Estado
Comentário