Academia Concerto
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21 de Julho de 2010
21 de julho
Hoje passei pela classe do cravista Alessandro Santoro que estava trabalhando com um aluno a realização do contínuo com uma ária de Monteverdi. Ele falou da importância de conhecer o repertório, a técnica e o idioma do cravo para fazer bem o baixo contínuo.

Depois passei na classe do maestro e musicólogo Sérgio Dias que está falando durante o festival sobre metodologias de pesquisa na área musical (musicologia). É impossível falar de história da música sem falar de história geral e essa é a parte interessante. Pessoas cercadas de muita informação e conhecimento em diversas áreas quando falam de um assunto, como história da música ou da arte, que já é um assunto fascinante por natureza, instigam e despertam ainda mais a curiosidade de quem ouve. Torna-se muita interessante o trabalho da pesquisa, pouco explorado e valorizado no Brasil, e se realizado de maneira séria pode trazer muita contribuição para as áreas da performance e da pedagogia musical.

Na parte da tarde tivemos o segundo ensaio com o maestro Homero, que me pediu para ler uma peça onde há um trio (B T2 e T1) onde farei a parte de tenor 2, ou seja, será uma peça cantada pelo madrigal que dialogará com um trio no concerto do dia 29. Eu aceitei na hora! As peças deste ano estão repletas de cromatismo. Lembrei muito do JOVEM CANTO que têm algumas peças com esses cromatismo. Claro que são “fichinhas” perto dos cromatismos cabeludos de Purcell e Monteverdi...hehe...mas, se continuarem se empenhando nas nossas manossolfas, logo estarão cantando essas “pedreiras” do repertório, que tirada a dificuldade de leitura e realização, são MARAVILHOSAS!

Fomos à noite ao concerto de cravo com o francês de apenas 25 anos, Benjamin Alard que executou peças avulsas de François Couperin (1668-1733) e de Johann Sebastian Bach (1685-1750) a Suite Francesa BWV 814 e a Partita nº4 BWV 828. Não há muito o que dizer sobre a atuação do jovem francês. Todos puderam perceber sua precisão e virtuosismo além de profundo conhecimento do estilo. As vozes (linhas melódicas) sempre muito claras e bem definidas. Mais uma vez a boa realização de um excelente músico desmente o mito de que o cravo não tem dinâmica.

Abraço a todos!

RODRIGO.


ALESSANDRO SANTORO - cravo
LUIZ OTAVIO SANTOS (dir. artistico do festival - violino)




BENJAMIN ALARD - Partita IV



  2 Comentários...  
 

  Rodrigo   Jacareí - SP 24 de Julho de 2010
Eu não conheço com profundidade a música colonial brasileira, mas, ao longo dos últimos anos tenho escutado um bom número de exemplos e acho que já posso opinar a respeito. A música colonial sem dúvida era feita aos moldes da música européia tal qual a arquitetura, a pintura, a literatura, a política, a forma de organização social, etc. Mas em cada forma de expressão artística feita em terras tupiniquins existe uma particularidade que difere da expressão européia. No caso da música as partituras que chegavam aqui eram de um período historicamente anterior, então, no período chamado de clássico na Europa, os compositores coloniais estavam compondo músicas com referencial da música do barroco, sobretudo do barroco italiano com forte influência de Domênico Scarlati, por exemplo. Por isso muitos musicólogos discordam do termo ‘barroco mineiro’ e preferem chamar apenas de música colonial. Mas respondendo a pergunta – não acho que a música colonial brasileira seja tão sofisticada quanto à música européia, mas, existem alguns exemplares dentre os mais célebres compositores como Lobo de Mesquita (Minas) e o padre José Maurício Nunes Garcia (Rio de Janeiro) que realmente impressionam e chegam a ser composições tão boas quanto às européias só que com uma personalidade incrível! Além deles, claro, existem outros nomes como André da Silva Gomes (São Paulo) e sobretudo em Minas existem bastantes nomes consideráveis. Cabe a nós pesquisar com mais carinho sobre o assunto. Não sei realmente se essa música é muito executada fora do Brasil. Eu mesmo já tive oportunidade de cantar Alguns dos coloniais e outros contemporâneos nossos como Osvaldo Lacerda no Uruguai em 2007. Há um vídeo postado neste blog de uma peça chamada “Inter Vestibulum” do padre José Maurício gravado pela Camerata Barroca de Caracas (Venezuela) e muito boa por sinal! Já ouvi pessoas dizerem que europeus espantam-se ao saber que existia música colonial e de tamanha qualidade então acredito que ainda não seja tão executada fora do Brasil, mas, há sim o conhecimento de que ela existe e como é uma área que está em franca expansão acredito que ainda há de ser muito executada na Europa. Quem sabe com o Camerata Vocal, com o Coro Academia, Cantilena, etc...
  LUCA AMORIM    Sorocaba - SP 23 de Julho de 2010
Rodrigo, a música erudita brasileira colonial é sofisticada como a européia? Ela é bem executada fora do Brasil?

abraço
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