Hoje passei pela classe do cravista Alessandro Santoro que estava trabalhando com um aluno a realização do contínuo com uma ária de Monteverdi. Ele falou da importância de conhecer o repertório, a técnica e o idioma do cravo para fazer bem o baixo contínuo.
Depois passei na classe do maestro e musicólogo Sérgio Dias que está falando durante o festival sobre metodologias de pesquisa na área musical (musicologia). É impossível falar de história da música sem falar de história geral e essa é a parte interessante. Pessoas cercadas de muita informação e conhecimento em diversas áreas quando falam de um assunto, como história da música ou da arte, que já é um assunto fascinante por natureza, instigam e despertam ainda mais a curiosidade de quem ouve. Torna-se muita interessante o trabalho da pesquisa, pouco explorado e valorizado no Brasil, e se realizado de maneira séria pode trazer muita contribuição para as áreas da performance e da pedagogia musical.
Na parte da tarde tivemos o segundo ensaio com o maestro Homero, que me pediu para ler uma peça onde há um trio (B T2 e T1) onde farei a parte de tenor 2, ou seja, será uma peça cantada pelo madrigal que dialogará com um trio no concerto do dia 29. Eu aceitei na hora! As peças deste ano estão repletas de cromatismo. Lembrei muito do JOVEM CANTO que têm algumas peças com esses cromatismo. Claro que são “fichinhas” perto dos cromatismos cabeludos de Purcell e Monteverdi...hehe...mas, se continuarem se empenhando nas nossas manossolfas, logo estarão cantando essas “pedreiras” do repertório, que tirada a dificuldade de leitura e realização, são MARAVILHOSAS!
Fomos à noite ao concerto de cravo com o francês de apenas 25 anos, Benjamin Alard que executou peças avulsas de François Couperin (1668-1733) e de Johann Sebastian Bach (1685-1750) a Suite Francesa BWV 814 e a Partita nº4 BWV 828. Não há muito o que dizer sobre a atuação do jovem francês. Todos puderam perceber sua precisão e virtuosismo além de profundo conhecimento do estilo. As vozes (linhas melódicas) sempre muito claras e bem definidas. Mais uma vez a boa realização de um excelente músico desmente o mito de que o cravo não tem dinâmica.
Abraço a todos!
RODRIGO.
ALESSANDRO SANTORO - cravo
LUIZ OTAVIO SANTOS (dir. artistico do festival - violino)