Nosso primeiro dia em Gdnya começou muito bem! Logo cedo fomos levados para conhecer a cidade, começando pela vista panorâmica do ponto mais alto da cidade. Um lugar maravilhoso de onde pudemos avistar toda a costa de Gdnya, o porto, a marinha, o prédio da academia naval e toda a cidade! De lá pudemos ouvir um pouco da história da cidade e ficamos impressionados! Nascida como uma aldeia de pescadores, ela explodiu demograficamente a partir de 1925 e em 1939 já contava com 120.000 habitantes! Assim como a maioria das cidades da região, Gdnya foi palco de eventos marcantes durante a II Guerra Mundial.
Descemos em seguida pelo meio de um pequeno bosque até o nível da praia e ali percebemos que os poloneses gostam tanto de praia como nós brasileiros! A praia estava lotada e colorida, ainda que para nossos padrões estivesse frio ao vento!
Em seguida seguimos para um dos passeios mais marcantes até então! Como convidados da Academia Naval (responsável por nossos concertos em Gdnya), visitamos um veleiro que foi usado pela marinha na época da guerra e mais tarde como navio escola. Hoje desativado, encontra-se como museu ancorado na marina de Gdnya. Pisar ali e sentir o cheio do diesel das maquinas e o das cordas amontoadas foi como voltar ao passado. Tivemos a oportunidade de conhecer as exatas condições em que os marinheiros vivam e trabalhavam em alto mar. Um velho marinheiro aposentado que hoje trabalha como funcionário do museu nos perguntou de onde éramos e ao saber que éramos brasileiros abriu um sorriso e disse que este navio havia aportado no rio durante cinco dias e ele teve a oportunidade de subir ao Cristo Redentor de taxi! Nos contou que isso foi na década de 50 mas até hoje essa memória não lhe saia da cabeça! Feliz por nos receber em “seu” navio, ele nos levou a alguns lugares perto das máquinas geralmente fechado para turistas para que pudéssemos ver e fotografar de perto!
Depois fomos levados a um dos prédios da Academia Naval de Gdnya onde nos foi oferecido um almoço. Esta faculdade única na Europa prepara profissionais para o mercado naval do mundo todo. Engenheiros, eletricistas, navegadores, pilotos, especialistas em logística, etc. Após o almoço assistimos um vídeo institucional que nos deixou impressionados!
Voltando ao hotel, hora de nos preparar para o concerto da noite. Cantamos na lindíssima igreja “Ojców Redemptorystów” que tem a forma circular com vitrais a volta toda. Como o sol se põe por volta das nove horas da noite, no momento do concerto a luz fazia com que fossemos envolvidos por um visual maravilhoso, que com certeza ajudou a inspirar o coro em mais um concerto. Mais um programa muito bem sucedido, com a platéia aplaudindo em pé e três “bis”.
Logo em seguida fomos ao “Yacht Club” de Gdnya onde uma festa nos esperava! Mais uma prova da amável e carinhosa hospitalidade polonosa! Nos divertimos muito, dançamos e fizemos novos amigos em Gdnya!
Ontem segunda-feira, dia de folga para nossos cantores! Após uma semana intensa de concertos, tempo para compras, dormir e principalmente aproveitar a deliciosa cidade turística de Sopot.
Hoje, dia 30 é dia de dizer adeus ao charmoso e confortável hotel Wanda que nos recebeu maravilhosamente á beira do mar báltico e seguir para Gdansk onde faremos o concerto da noite na Igreja Matki Boskiej Fatimskiej e seguiremos para um novo hotel em Gdnya. Estivemos com o Camerata Vocal em 2008 neste mesmo local e sempre as pessoas fazem questão de dizer que guardam a lembrança de nossos concertos até hoje, e que ficaram alegres em receber mais um grupo da Academia Concerto.
Antes da apresentação uma nova experiência! Fomos convidados a cantar duas peças durante a liturgia da missa que precedia o concerto. Cantamos do balcão superior, no fundo da nave e próximo ao órgão. Executamos “Aleluia” de Ralph Manuel e em seguida “Domine Jesu” de José Maurício Nunes Garcia. Cantar música sacra “a capella” nessa atmosfera religiosa milenar da Europa inseridos no contexto religioso de um povo que vive intensamente inserido nessa atmosfera foi algo incrível! Pudemos acompanhar a missa do balcão e percebemos como a população polonesa é musical e afinada! Todas as intervenções da congregaçãoacontecem perfeitamente afinadas com o órgão e num timbre muito leve e musical!
Aqui cabe um comentário: todas as igrejas que cantamos ou visitamos possuíam seu próprio órgão (algumas mais de um) de tubos ou em poucos casos eletrônico, em perfeito funcionamento e sendo utilizado em todas as missas!
Descemos para o altar e iniciamos nosso concerto. Como sempre, igreja cheia, platéia receptiva e interessada em nossa música, aplausos e sorrisos de contentamento ao final de cada peça. Ao fim do concerto a igreja aplaudindo de pé e dois números extras. Mais uma excelente apresentação!
Após o concerto nos foi oferecida uma saborosa refeição e pudemos receber algumas pessoas ilustres da platéia: maestro Marcin Tomcsak, diretor artístico do festival pela terceira vez nos ouvindo, o maestro Arkadius Wanat, um dos mais renomados da região e a simpática presença do pai de Leszek Mozdzer considerado um dos melhores pianistas da atualidade. Mais uma vez excelentes avaliações e elogios ao trabalho do Coro Academia Concerto!
Logo de manhã uma experiência musica incrível! Fomos de trem a Oliwa para assistir a demonstração de um dos mais famosos órgãos de tubos da Europa! Considerado o maior órgão de tubos da Europa e um dos maiores do mundo, este instrumento foi construído entre 1763 e 1788. A demonstração dura trinta minutos e o organista apresenta trechos de várias peças de períodos e estilos diferentes, com o objetivo de mostrar todos os recursos deste magnífico instrumento. Além do grande órgão ao fundo da catedral, outro conjunto de tubos fica na parte frontal do altar podendo ser tocado pelo instrumentista do console principal o que gera um efeito “sorround” magnífico, ainda mais quando falamos dos anos de 1700! Após a demonstração, ao saber da presença de nosso coro, a direção da igreja convidou os presentes para permanecerem e ouvirem uma peça de nosso repertório apresentada informalmente no altar. Foi indescritível essa experiência para nós. Ainda pudemos cantar um moteto de Bach numa das capelas anexas para termos a experiência sonora de executar essa peça na acústica para a qual foi composta!
Hoje foi o encerramento do Festival Internacional de Coros Mundus Cantat, na cidade de Sopot. Havia um palco montado de frente para o píer e com o cassino da cidade ao fundo. Para o público, bancos foram colocados para que pudessem acompanhar o evento. Fazia um frio intenso, incomum para esta época de primavera e pegando de surpresa até os poloneses! O clima obrigou os coros a subirem ao palco com cachecóis, casacos e luvas!
Durante a cerimônia de encerramento houve a premiação nas categorias: 1) música sacra “a capella”, 2) jazz, gospel e spirituals, 3) música não sacra e folclórica. Em cada uma das categorias são distribuídos diplomas de participação, diplomas bronze, prata e ouro, além da disputa pelo prêmio geral do Grand Prix como melhor coro entre todos os competidores. Ao final, o grande vencedor do Grand Prix deste ano foi o coro SYC Essenble Singers, de Singapura, da maestrina Jeniffer Than. Cada coro premiado cantou duas músicas de seu repertório e nós, como coro convidado, cantamos cinco peças. Fomos muito aplaudidos, especialmente na música Lata d’água.
Ao final da cerimônia todos os coros se reuniram no palco para cantar a peça em homenagem às vítimas no Japão (“Cantate Domino”, de Ko Matsushita), além de duas peças folclóricas polonesas e no final a peça “We are the world”.
Após a cerimônia, todos os corais se dirigiram para um local de festas, para boa comida, bebida e muita música para dançar. Um momento muito alegre onde os coros não tem mais a responsabilidade da competição e podem se confraternizar, trocar informações e contatos. Durante a festa, o maestro Altamiro recebeu fortes elogios do maestro italiano Marco Berrini, um dos jurados, a respeito do desempenho do Coro Academia Concerto, destacando sua sonoridade.
Fim de mais uma temporada em Sopot! Os ares do Mar Báltico nos abençoaram com um clima bastante agradável e companhias muito especiais, como as de nossas guias Dorota e Monika.
Na manhã seguinte ao encerramento do Festival tivemos um dia de agenda apertada! Dois concertos seguidos em duas cidades diferentes no espaço de quatro horas! Pegamos um trem para Gdynia, em direção a uma linda igreja no centro da cidade. Tivemos um concerto muito especial, pois na platéia, logo na primeira fila, encontravam-se o diretor do festival Marcin Tomkczak e um dos jurados, o maestro inglês Malcom Goldring, o qual já havia assistido um de nossos concertos na semana anterior e desejou ouvir o coro novamente. Um excelente concerto.
Precisávamos sair rapidamente para o ônibus, mas a platéia em pé pedia bis! Voltamos duas vezes para cantar e encerrar nosso trabalho ali naquela tarde. Em seguida, tomamos um ônibus para uma cidade próxima, Bojano, em que faríamos uma apresentação juntamente com o coral de Singapura. Assim que chegamos, deixamos nossas coisas em uma pequena sala e logo fizemos nossa formação para entrarmos no palco. A igreja estava lotada e a receptividade do público, assim que entramos, foi muito calorosa. Especial atenção para a grande variedade de pessoas, incluindo muitas crianças. Mais uma vez o desempenho do coro Academia Concerto foi excelente, o que resultou em pedidos de bis pela platéia.
Estivemos ali em 2008 com o Camerata Vocal e mais uma vez ficamos felizes pelo fato de as pessoas se lembrarem de nosso trabalho e terem voltado para ouvir o coro brasileiro da Academia Concerto. Ao final do concerto, recebemos uma visita que nos deixou muito surpresos. Na platéia havia uma brasileira de Sorocaba, Brasil, que nos procurou muito emocionada. Contou-nos que era casada com um polonês e que estava na Polônia há dois meses.
Em seguida fomos recebidos pela comunidade com churrasco e com muita música brasileira (o padre já havia morado no Brasil e tinha alguns CD’s do Olodum, dentre outros). O gramado fora da casa virou uma grande danceteria, em que poloneses, brasileiros e singapurianos se integraram, criando um clima muito saudável e divertido. Enquanto a tarde caía, podíamos ouvir os coros cantando suas músicas, uns para os outros, e mais próximo do final da festa tivemos momentos bastante emocionantes, em que todos juntos cantaram uma canção tradicional irlandesa e Gaude Mater Polonia. O retorno para o hotel em Sopot foi difícil, pois nos demos conta de que o festival definitivamente havia acabado, e que um pouco de nossos corações havia ficado em Bojano.
Hoje pela manhã nossos solistas estiveram na Ópera da Floresta, mais uma vez, para o ensaio do recital de música brasileira. À tarde nos encontramos para almoço no hotel e em seguida partimos para mais um concerto da turnê. Quando consultamos nossa agenda de trabalho, é sempre complicado identificar os locais de apresentação devido à complexidade da língua polonesa. Desta vez, só nos demos conta do local ao descermos do ônibus! Estávamos na igreja de Pìerwoszyno, no condado de Kosakowo, mesmo lugar do primeiro concerto realizado na turnê de 2008 com o coro Camerata Vocal! Este lugar deixou memórias maravilhosas a todos que ali estiveram, por ter sido o primeiro trabalho internacional da Academia Concerto e pela maneira amável e calorosa com que fomos recebidos e hospedados numa pequena pousada perto da igreja. Ao olharmos a platéia, identificamos o casal de proprietários da pousada, que estavam emocionados por ouvir um coro da Academia Concerto em Kosakowo novamente!
Foi numa praia a cerca de 800m da pousada que as tropas de Hitler invadiram a Polônia, desencadeando os eventos que deram origem à Segunda Guerra Mundial! Todos os anos há uma reconstituição deste evento histórico.
Mais um concerto e mais um sucesso! Aplausos em pé e pedidos de bis! Após duas músicas extras recebemos das mãos do prefeito da cidade um lindo brasão comemorativo pelo nosso concerto. Fomos levados ao centro cultural, recém construído, da cidade para uma recepção preparada pelo coro local e servida pelos próprios coralistas, vestidos em trajes típicos do folclore polonês! Um momento muito agradável!
O prefeito nos explicou que o centro cultural foi construído com recursos do ministério da cultura polonês e tem a função de sediar todas as atividades culturais da cidade. Ficamos admirados com a qualidade do projeto e do material empregado: tratamento acústico, cadeiras confortáveis, som e luz de primeira qualidade, dois pianos digitais de cauda, amplo palco, tela e sistema de projeção de cinema de última geração. Ou seja, toda estrutura para haver variada atividade cultural.
Para encerrar mais uma noite agradável na companhia dos poloneses, juntamos os dois coros para cantar Gaude Mater Polonia. Entoar esse hino polonês junto com um coro vestindo trajes típicos foi emocionante para nós. Nos despedimos e retornamos ao hotel em Sopot, admirados com tanto cuidado e atenção!
Pela manhã, alguns membros do coro Academia Concerto puderam assistir algumas provas dos coros inscritos. Interessante notar a diversidade do repertório trazido dentro das categorias música sacra e gospel, jazz e spirituals. Já percebe-se que o coro de Singapura, regido pela maestrina Jeniffer Than, se destaca pela sonoridade e precisão. Oportunidade que aguça a percepção , fornece impressões e material para análise, importantes para nosso trabalho na Academia Concerto. Observar ao vivo coros com diferentes técnicas e tradições e repertórios variados é uma oportunidade muito valiosa.
Ainda pela manhã os solistas do coro Academia Concerto puderam ensaiar numa sala da Ópera na Floresta, o recital de Música Brasileira que apresentarão em breve em solo polonês. Além de trabalhar no recital, os cantores puderam desfrutar da atmosfera desse lugar único que tem história dentro da cena musical européia.
Perto das 16h, desfilamos pela rua Monte Cassino junto com todos os coros participantes. Descemos caminhando com muita satisfação. A função desta pequena “parada” é, além de abrir oficialmente o Festival Internacional de Coros Mundus Cantat, chamar a atenção do público local e dos turistas para esses dias de música coral na cidade.
Josias -nosso baixo-profundo e membro mais experiente do coro- levou com orgulho a bandeira do Brasil. O Coro Academia Concerto se vestiu com as cores de nossa bandeira, adereços e camisas da seleção brasileira! A pedido dos organizadores, descemos cantando música popular brasileira e foi precioso ver a receptividade das pessoas na rua reconhecendo “Garota de Ipanema”, sorrindo e acenando , ou tentando sambar ao som de nossos instrumentos de percussão! Realmente nosso país é sinônimo de alegria e simpatia. Em alguns momentos do desfile, fazíamos uma pausa para descansar e imediatamente alguém se aproximava e pedia: “Não parem, por favor! Cantem mais!”.
O clima era maravilhoso! Música, alegria, intercâmbio, expectativa, curiosidade sobre os coros de outros países, risos, fotos e novos amigos! A parada termina numa concha acústica em frente ao píer. Numa breve cerimônia a chave da cidade é entregue à diretora do festival, Joanna Stankowska. Alguns coros cantam 2 ou 3 peças, numa rápida mostra do que haverá nos dias seguintes na cidade.
Cantamos duas músicas para encerrar a cerimônia, como coro convidado, e tivemos grande receptividade do público e dos outros coros.
Tempo de reconhecimento mútuo, estabelecimento de contatos e percepção da atmosfera da cidade de Sopot. Vários cantores e regentes se manifestaram positivamente e pudemos sentir de forma concreta a honra e responsabilidade que tínhamos em nosso trabalho aqui. Mais um dia, mais uma missão cumprida!
Nosso primeiro dia de trabalho na Polônia não poderia ter sido melhor! Nem bem desarrumamos as malas, já saímos logo cedo para a cidade de Kwidzn, há 2 horas de Sopot. Durante o trajeto aproveitamos para admirar a paisagem do interior com belos campos de canola em flor formando um lindo tapete verde e amarelo.
Kwidzn é uma cidade de 40.000 habitantes fundada em 1234 ao redor do Castelo de Ordensburg pelos cavaleiros teutônicos. Ao chegarmos fomos recebidos por uma guia da cidade que nos mostrou algumas partes do castelo e tivemos a possibilidade de experimentar a acústica da catedral gótica com uma das peças de nosso repertório. Uma experiência indescritível! Após um rápido tour fomos recebidos pelo prefeito e vice-prefeito da cidade para um delicioso almoço e em seguida seguimos para encontrar o HARFA GOSPEL CHOIR.
Este simpático coro de jovens e adolescentes é especializado no repertório Gospel e recebeu um prêmio especial do júri na edição 2010 do Festival Mundus Cantat. Quando nosso concerto foi marcado nesta cidade, convidamos para que o coro fizesse a abertura e se juntasse ao Coro Academia Concerto no encerramento, cantando juntos a peça “Thou, O Lord” de Carol Cymbala. Quando os dois coros se encontraram para um rápido ensaio, a energia foi contagiante. Para o Coro Academia ficou a satisfação em ver um trabalho coral com jovens e adolescentes com um resultado tão significativo, lembrando nosso coro Jovem Canto da Academia Concerto. Para os jovens e adolescentes de Kwidzn ficou a emoção de cantar ao lado de um coro profissional internacional, ocasião que, segundo as palavras deles, não esquecerão nunca!
A igreja estava lotada e o concerto foi um sucesso! O público ficou encantado com o som coro e com a diversidade do seu repertório! A receptividade das músicas brasileiras foi muito grande e a última música cantada em conjunto (acompanhados pela banda local e regidos pela maestrina Anna Goglowska-Fyrlej), levou o público a aplaudir em pé! Aplausos intensos levaram a um bis cantado carinhosamente abraçados aos jovens de Kwidzn.
Após o concerto uma confraterni zação entre os dois coros aconteceu no salão paroquial e como é típico de poloneses e brasileiros, houve muita festa, comida, alegria, brincadeiras, música e dança! Depois de mais duas horas de estrada, voltamos para nosso hotel em Sopot. Exaustos mas satisfeitos pela estréia em solo europeu do Coro Academia Concerto!
Numa tarde um pouco mais fria que nosso primeiro dia em Kwidzyn, saímos com casacos, luvas e cachecóis para uma tarde na milenar cidade de Gdánsk. Fizemos um tour pelo centro medieval de cerca de duas horas. Vimos e ouvimos sobre a história dessa cidade encantadora e charmosa. Para nós brasileiros, passar por lugares em que os séculos ultrapassam em muito a idade de nosso próprio país é sempre emocionante. Andar em meio à arquitetura medieval, sentir o clima europeu e a energia do povo nas ruas como acontece há séculos, foi algo muito inspirador para nosso coro se preparar para o compromisso que se seguia.
Uma noite memorável!! Assim podemos resumir o concerto realizado ontem na Basílica de St. Nicholas localizada em Gdansk. A igreja de arquitetura barroca com detalhes em madeira escura e ouro foi um fundo inspirador para nossos cantores no primeiro concerto oficial dentro da programação do Festival Mundus Cantat. Compromisso de enorme responsabilidade pois chegamos ao evento como coro convidado e a expectativa da platéia era muito alta! A igreja estava totalmente cheia com aproximadamente 600 pessoas, segundo a organização do festival. Cantores e regentes dos coros participantes vindos de várias partes do mundo, os membros do júri internacional do festival e o público local -muito acostumado a receber e ouvir alguns dos melhores grupos corais do mundo- formavam a platéia da noite. E nosso grupo não os decepcionou! Desde a primeira peça era visível nos olhos e rostos da platéia a aprovação e surpresa em ouvir este repertório e uma sonoridade como a nossa vindo de um coro Latino-Americano. Iniciamos o programa com uma surpresa que não constava do programa oficial do concerto: a execução de GAUDE MATER POLÔNIA, um hino medieval polonês que é considerado o segundo hino nacional. Nossos cantores se emocionaram ao ver as pessoas da audiência reverentemente se levantando ao reconhecer o hino. Feita a homenagem, prosseguimos com nosso repertório e os aplausos traduziam o contentamento do publico. E isso foi mais notado ao final do AGNUS DEI de Samuel Barber, indiscutivelmente a peça mais desafiadora de nosso repertório, quando a platéia visivelmente emocionada aplaudiu por minutos seguidos. Esta reação confirma o perfil da platéia do concerto: uma audiência de conhecedores e apreciadores da música coral. Como sempre o repertório de música brasileira encantou e empolgou os presentes. No fim da última peça, a platéia aplaudiu entusiasticamente e os gritos de ‘bis’ e ‘bravo’ ecoaram pela basílica e trouxeram o maestro Altamiro de volta diversas vezes para agradecer. Os membros do júri internacional e a direção do festival estavam encantados com o concerto. Oferecemos como bis uma canção de Jobim e Vinícios, “Wave”, recebida com vibração pelos presentes. Ao final, aplausos em pé novamente até o último componente do grupo deixar o altar e pudemos ouvir as palmas ainda após o coro sair. Colhemos algumas impressões de nossa apresentação e as palavras que ouvimos foram: fantástico, fenomenal, empolgante e perfeito. Isso deixou nossos cantores vibrando com a sensação de termos cumprido com nosso trabalho de representar a música coral brasileira neste festival internacional. Ainda temos muito trabalho pela frente mas iniciamos nossa jornada com este belíssimo concerto que com certeza terá repercussão positiva neste país.
Já estamos em solo polonês! Os próximos 15 dias serão de muito trabalho, muita música boa e altas emoções!
Nosso embarque ontem no Aeroporto Internacional de Guarulhos foi tranqüilo. Despedidas, fotos e abraços...presença e lembranças boas de familiares e amigos. Todos estavam muito motivados para essa turnê.
O vôo até Frankfurt ocorreu dentro do horário previsto e a conexão para Gdánsk também. Pudemos saborear comida típica alemã. Fomos muito bem recebidos por Joanna Stankovska, diretora do festival e da Agência BART que produz nossa turnê aqui, Gosia e Monika, que será nossa guia durante os dias de Festival.
Elas estavam com a bandeira de Sorocaba e com um belo sorriso no rosto. Como sempre a hospitalidade polonesa sempre é manifestada!Para nosso conforto a temperatura atual é bastante agradável já e não é necessário usar roupas muito pesadas de frio. Estava um lindo dia de primavera ensolarada. Tudo contribuindo para nos inspirar para a série de concerto que nos espera!
Partimos de ônibus para Sopot e depois de cerca de 30 minutos, por uma linda estrada, chegamos no início da noite à cidade. Ainda havia luz do dia pois nessa época do ano, no hemisfério norte, anoitece por volta das 22h. O Hotel Wanda fica há 20 metros da praia. É um ótimo hotel e nos recebeu com um jantar muito convidativo e saboroso para o coro. Tivemos a curiosidade de experimentar a temperatura da água do Mar Báltico...muito fria!!! Outra peculiaridade é que a água não é tão salgada quanto as águas do Oceano Atlântico das praias brasileiras.
Partimos amanhã cedo para a cidade de Kwidzyn onde faremos nosso primeiro concerto à noite, iniciando nossa turnê em solo polonês. Torçam por nós. Participem e comentem!
Prédio principal da Fisk University erguido com recursos angariados pelo Jubilee Singers
No quarto episódio da série Coros do Mundo, o compositor Howard Goodall nos leva aos Estados Unidos para apreciar a sonoridade cheia de energia e espiritualidade dos coros “Gospel”.
Aqui já cabe diferenciar o termo muito utilizado no Brasil para identificar a música sacra contemporânea, que nos Estados Unidos é chamada “Christian Music”. O termo “Gospel” ( do inglês "Evangelho" ou "Boas Novas") identifica um estilo específico de música coral, que teve origem nas igrejas evangélicas afro-americanas e se caracteriza pela grande carga emocional, harmonias fechadas, uma sonoridade forte, ritmos contagiantes e letras que expressam a fé de seus participantes.
O episódio desta semana foi todo baseado na cidade de Nashville, estado do Tenessee, que é considerada a capital da indústria musical americana e um dos centros da música gospel com um grande número de igrejas, gravadoras e grupos vocais. O coro da “Temple Church” foi escolhido para mostrar como acontece o trabalho de um coro Gospel. A estrutura das músicas, metodologia de ensaios, estética vocal e regência são bem diferentes da música sacra tradicional. O trabalho desses corais tem, não apenas uma importância musical e artística, mas também religiosa e social. Existe um trabalho desde a infância em corais, fazendo com que aprendam esta maneira de cantar logo cedo. O coral é usado como ferramenta de educação religiosa.
O tradicional Gospel sofreu influências da música moderna e é acompanhado por uma base instrumental forte e rítmica como o Jazz. As músicas geralmente são escritas em blocos e executadas de acordo com a emoção do momento seguindo sinais pré-estabelecidos da regência gospel. Este repertório, na maioria das vezes, não é transmitido por tradição escrita em partituras, mas através da tradição oral e abre espaço à improvisação. A emissão vocal é bem diferente da estética do som dos coros tradicionais, com uma colocação bem de garganta gerando o som característico dos corais “Gospel”. Geralmente as músicas tem um solistas que improvisa de maneira característica sobre o som do coro e da banda.
A música Gospel teve origem nos “Negro Spirituals” que eram cantos dos escravos americanos. Para mostrar a raiz desta forma de música coral, Howard foi até a Fisk University, a primeira instituição de ensino superior para filhos de escravos após a abolição nos Estados Unidos, e berço dos Negro Spirituals como música coral da maneira como hoje é conhecida e interpretada por todo o mundo. Em 1871 um grupo de nove estudantes do curso de artes formou o “Fisk Jubilee Singers” e realizou uma turnê para levantar fundos para a construção do prédio principal da Universidade. Como repertório dessa viagem levaram ‘canções de escravos’ com arranjos a quatro vozes. No início eles temiam por mostrar este repertório, já que a maioria destas canções eram proibidas durante a escravidão, sendo até mesmo usadas como ‘código’ entre os escravos com mensagens de fugas e rebeliões. A receptividade dessas canções surpreendeu com um grande sucesso o público branco em salas de concerto onde a música coral sacra européia predominava. O “Jubilee Singers” não cantou apenas nos E.U.A. Ao se apresentarem à Rainha Victoria da Inglaterra, ela se impressionou tanto com o concerto que encomendou um quadro do grupo, que hoje encontra-se em exposição em uma das salas da universidade. A partir de então coros de todo o mundo passaram a incorporar os Spirituals em seus repertórios. O Fisk Jubilee Singers permanece em atividade até hoje divulgando os "Spirituals" com uma agenda de concertos extensa por todo o mundo (veja link abaixo).
Os Spirituals começaram a ser cantados numa estrutura de quatro vozes mistas pela influência dos hinos dos missionários metodistas e suas letras geralmente falam da vida eterna, que era a esperança de liberdade para a maioria dos escravos, ou de grandes líderes do velho testamento que serviam de inspiração como líderes de uma esperada revolução de liberdade.
Também foi mostrado o estilo chamado “knitted singing”, um canto coral das igrejas batistas negras mais primitivas no sul dos E.U.A. que é quase um “lamento”, uma música que ao contrário da energia e alegria do Gospel, expressa dor, tristeza e melancolia. Este estilo musical é provavelmente o mais ligado às origens dos cantos dos escravos nas senzalas e ainda persiste em algumas poucas igrejas.
No segundo episódio da série "Coros do Mundo" os grupos da Academia Concerto foram levados pelo compositor e apresentador Howard Goodall à sua terra natal, Inglaterra, para conhecer os coros de catedral. Tradição de mais de mil anos, esses coros são formados por meninos-cantores na voz de soprano, meninos e contratenores (homens com tessitura de contraltos) na voz de contralto além de tenores e baixos. O principal coro enfocado neste episódio foi o coral da Catedral e Universidade "Christ Church" em Oxford, considerado um dos melhores do mundo. O coro tem 500 anos de existência e uma sonoridade única. É formado por 16 meninos-cantores e 12 homens (seis cantores profissionais e seis alunos da faculdade). O próprio apresentador do programa fez parte do "Christ Church Choir" quando menino e depois como estudante universitário em seu curso superior em música.
Acompanhamos os bastidores do trabalho no coro, desde os testes de admissão das crianças, a expectativa dos pais pelo resultado, a ida das crianças para a escola, o primeiro ensaio do ano letivo, o dia-a-dia na escola interna, o ensaio na catedral e toda a dinâmica de trabalho para a participação diária nas missas todos os dias do ano. O maestro Stephen Darlington, regente do coro, falou sobre o trabalho, o relacionamento com os meninos e o que eles levam para a vida após deixarem o coro.
Interessante observar como todos acompanham os ensaios com concentração e atenção de cantores profissionais e executam partes complexas do repertório coral, como um trecho do Requiem de Gabriel Fauré logo no primeiro ensaio do ano, mesmo com os novos meninos recém selecionados. E a primeira apresentação do grupo já no fim do primeiro dia de ensaios, o que nos mostrou bem a rotina de alta produção de música coral desses coros.
Junto com o primeiro dia dos meninos na escola, acompanhamos a chegada de um jovem para seu primeiro dia como aluno da Universidade e ao mesmo tempo como novo componente do naipe dos baixos. Ele contou como estava aterrorizado e preocupado com o primeiro ensaio no período da tarde e sua primeira missa como integrante do coro e como pesa pensar que há séculos outros rapazes passaram pela mesma posição que ele se encontra.
Vimos também que nos últimos vinte anos, surgiu um movimento pela inclusão dos coros de meninas-cantoras nas catedrais inglesas. Essa novidade tem gerado muita discussão e críticas por toda Inglaterra. Na idade média, quando esses grupos se estabeleceram, a igreja não permitia a participação de mulheres e daí vem a tradição do uso de meninos e homens. O responsável por este movimento dos corais de meninas foi o maestro Richard Seal, regente de um dos mais famosos dos novos coros na catedral de "Salisbury", que também pudemos ouvir. O maestro falou das diferentes características entre os coros de meninos e meninas, que é a favor da coexistência dos coros e que a chegada das meninas não significa a o fim dos coros de meninos, mas que elas chegam para somar.
Uma prática que não é comum em nossos coros infantis é que lá as crianças ficam internas na escola de ensino básico pertencente à Catedral e recebem, além de toda educação escolar, o ensino musical, ensaios diários, aulas de música, instrumentos, cantam diariamente nas missas e ficam à disposição para turnês internacionais e sessões de gravação sem prejuízo para sua vida escolar, tudo isso subsidiado pela Catedral.
Outro ponto que chamou atenção dos nossos coralistas foi o teste de seleção das crianças entre 5 e 6 anos para o coro. Ficou clara a importância de começar cedo a preparar os futuros membros do coro principal da catedral. A expectativa dos meninos e seus familiares e o resultado positivo, geram uma alegria similar a que é sentida no Brasil pelas famílias de jovens que passam no vestibular. Uma das mães disse que toda família quer o melhor para os seus filhos e ter um filho aceito como cantor de um coro de catedral é o sonho de toda família. Logicamente os testes são didaticamente apropriados, com uma abordagem e metodologia específicos. Além do teste de canto, musicalidade e afinação os candidatos precisam passar por um teste acadêmico com conteúdo escolar para, então, ser aceitos no coro. A experiência de passar pelos testes de seleção é positiva para as crianças. Foi interessante traçarmos um paralelo entre os testes assistidos no documentário e os já realizados nos grupos infantis da Academia Concerto: Cantabile e Concertino.
Muito importante para os coros da Academia Concerto foi observar esse som coral caracterizado pela voz 'branca' (quase sem vibrato), de timbre claro, penetrante e leve e ao mesmo com uma projeção que preenche a enorme Catedral. Esta por sua vez contribui com a maravilhosa acústica e seu imponente órgão para formar o tradicional som dos coros ingleses. Com certeza é uma das excelentes referências para nossos grupos.
Ao fim deste episódio, algumas lições aprendidas por nossos coros: é necessário haver continuidade e tempo para amadurecer um som coral. Portanto, iniciar o mais cedo possível e investir na estrutura de formação dos grupos são fatores fundamentais para se alcançar um resultado de qualidade, além de ensaios com concentração, foco e atenção voltada para a música. Esperamos que isso incentive cada vez mais os coros da Academia Concerto.
Investindo no crescimento musical de seus grupos a Academia Concerto, neste início de temporada,irá exibir e discutir, nos cinco primeiros ensaios do ano, a série britânica “Coros do Mundo” - escrita e apresentada pelo compositor e maestro inglês Howard Goodall em 1998. A série nos faz viajar para alguns lugares ao redor do mundo ouvindo diferentes formas de performance coral, suas origens, características técnicas, artísticas, históricas, culturais e políticas. Abrange várias tradições contrastantes e pretende mostrar que a palavra “coral” assume significados regionais diferentes para grupos distintos de pessoas. O programa mostra coros cujo canto inclui um elemento adicional: de natureza política, social ou histórica. Em 1998 este programa foi indicado para o prêmio de melhor programa de música no Festival de Montreux.
Howard Goodall é um compositor britânico de musicais, música coral e música para a televisão.Talvez o seu trabalho mais conhecido seja a abertura dos episódios do personagem “Mr. Bean” com comediante Rowan Atkinson, seu amigo pessoal. Ele também apresenta programas para televisão e rádio, onde ganhou muitos prêmios. Estudou no New College e nas escolas Stowe e Lord Williams. Ele foi cantor do renomado coro da Christ Church, em Oxford. Em maio de 2008 foi nomeado como Apresentador-Compositor Residente do canal de rádio britânico Classic FM, e em maio de 2009 nomeado "Compositor do Ano" no Classical British Awards.
Os cinco episódios mostram como cantar em coros é fundamental para a forma como as comunidades se expressam. Desde os sons alegres da África do Sul, passando por Nashville, EUA e Bulgária, os tradicionais coros de catedral da Inglaterra, a série dá uma visão refrescante de algumas das diferentes tradições corais do mundo de hoje. Este documentário mostra sete dos coros principais do mundo e as suas tradições corais contrastantes . O primeiro programa exibido nesta semana ( 6 a 12 de fevereiro 2011) mostra as harmonias peculiares do Sul Africano “Iscathimiya” realizadas pelo grupo “Ladysmith Black Mambazo”. Durante a opressão que enfrentaram, os zulus usaram o canto coral como forma
de manter a sua identidadecultural. Howard viaja para redutos Zulu para mostrar as origens desta forma de canto coral.
A palavra “Isicathamiya” em si não tem uma tradução literal, é derivada do verbo “cathama”, que em zulu significa andar suavemente, ou andar com cuidado. O nome também se refere aos movimentos do estilo de dança bem coreografada. Coros “Isicathamiya” são tradicionalmente masculinos. Suas raízes remontam a virada do século XX, quando muitos homens deixaram a terra natal para procurar trabalho nas cidades. Como muitos membros da tribo tornaram-se urbanizados, o estilo foi esquecido por boa parte do século XX. Hoje concursos de “Isicathamiya” em Joanesburgo e Durban ocorrem nas noites de sábado, com mais de 30 coros cantando por doze horas seguidas! A “descoberta ocidental” deste estilo aconteceu com o álbum de Paul Simon “Graceland” (1986), que contou com faixas como "Diamonds on the Soles on Her Shoes", em que Simon foi apoiado pelas vozes do “Ladysmith Black Mambazo”. O grupo, desde então, passou a desfrutar de grande popularidade e reconhecimento com canções como "Homeless".
No dia 21 de novembro de 2010, às 11h, foi realizada mais uma “Leitura Pública” na Sala São Paulo. Os coros participantes foram:Coro Juvenil, Coro da OSESP e o Coral Jovem do Estado. O concerto tem por finalidade dar a chance a cantores anônimos do público (desde que estejam com suas partituras e tenham leitura musical suficiente) de participar de um concerto e dividir o palco da Sala São Paulo com profissionais da voz,executando alguma obra famosa. Neste ano a leitura pública escolhida foi o Réquiem op. 48 de Gabriel Fauré. No total13 membros da Academia Concerto integrantes dos coros ACADEMIA CONCERTO, CAMERATA VOCAL, CANTILENA e JOVEM CANTO compartilharam aqueles minutos de uma obra tão inspiradora. O objetivo foi proporcionar e incentivar, através desta experiência, a busca pela qualidade vocal e o aperfeiçoamento musical. Leia os depoimentos abaixo. No palco, aproximadamente 260 cantores aguardavam o sinal de entrada sob a regência de Naomi Munakata e acompanhamento ao piano por Fernando Tomimura. A leitura da peça é simples. Os solos foram muito bem executados pela soprano Natália Áurea e pelo baixo Francisco Meira,integrantes do coro da OSESP.
por Érica Aguilar
“Requiem ou Missa de Requiem na Renascença era usado pela igreja católica romana para celebrar missas pelos mortos.Posteriormente a obra começou a ser muito usada como peça de concerto.O primeiro Requiem a ser usado em grande escala e com instrumentos foi o Requiem inacabado de Mozart (1971). Os Requiems são formados por textos sacros.Suas seções são: Intróito; Kyrie; Gradual(Requiem aeternam) e Trato (Absolve, Domine); Sequência (Dies Irae, dies illa);Ofertório (Domine Jesu Christe); Sanctus e Benedictus; Agnus Dei; e Comunhão (Lux aeterna); o responsório, Libera me Domine, segue-se à comunhão em ocasiões solenes.”* Veja exemplos da peça abaixo nos vídeos.
*trecho explicativo retirado do DICIONÁRIO GROVE DE MÚSICA,
ed. Jorge ZAHAR.
“Cantar na Sala São Paulo foi mágico. O coral, com 260 vozes, parecia que sempre havia cantado junto e a maestrina com uma regência impecável era capaz de nos fazer entender perfeitamente o que ela queria.Todas as dinâmicas saíram perfeitas.Fiquei muito feliz e me senti levitando, numa espécie de inconsciência e só voltei à mim, quando ouvi os aplausos. É, a música nos deixa assim, e nos conduz à lugares inimagináveis.Absolutamente inesquecível.!!!”
Denise Nogueira – Cantilena
“Subir ao palco mais nobre da cidade de São Paulo, e cantar com os músicos do Coro da OSESP foi uma experiência ímpar. Para mim ficou muito claro o que se espera de um coro de qualidade,pois ali foi possível ver na prática, o que nos é passado nos ensaios do Camerata: respiração, finalização de frases, vogais, articulação, notas sustentadas em seus tempos com a mesma intensidade e cor do inicio ao fim, etc. Apesar de estar cantando com aproximadamente trinta tenores, percebi o quanto é importante a técnica e a concentração, pois apesar de tantos integrantes no naipe, o menor descuido poderia ser percebido – isso ficou muito evidente nos pianíssimos. Cantar no meio de tantos músicos profissionais deu-me a sensação de que minha voz era levada por uma espécie de “correnteza sonora”, isso me possibilitou timbrar com os demais colegas de naipe, deu firmeza e segurança. Claro que não é sempre que terei a oportunidade de cantar com músicos profissionais,mas fica a lição de que é necessário comprometimento,estudo e concentração para que se possa alcançar tal resultado.Se caminharmos nessa direção, quem sabe, guardadas às devidas proporções, possamos repetir essa experiência no Camerata.É o que eu espero.”
Maurício Almeida - Camerata Vocal
“Cantar com um coro como o da OSESP é uma oportunidade que, para um futuro músico, cantor ou regente deveria ser imperdível. A sensação de sentir vozes timbradas, com colocação equilibrada, fazendo diversas dinâmicas com exatidão, é algo que jamais pensei que ouviria no Brasil! Amei ter ido... Essa experiência foi muito boa. Aprendi um pouco mais sobre voz.”
Vinícius Ferreira – Jovem Canto
“Simplesmente demais!!! Que maravilha poder subir naquele palco onde já se apresentaram grandes orquestras e coros mundiais e, se apresentar junto do Coro da Osesp. Experiência maravilhosa poder ter essa oportunidade de compartilhar o mesmo palco e entoarmos a mesma música com coro da Osesp e sentirmos a mesma vibração! Sem palavras e sem preço!Momentos que serão guardados com muito carinho e saudades!”
Marcos Vinícius – Jovem Canto
“A experiência em cantar novamente com colegas de profissão, grupos e amigos, é sempre muito boa. Com exceção é claro de algumas questões de dicção e terminações de palavras, o que chega a ser impossível de se fazer em perfeita sincronia por falta de ensaios em conjunto, a peça foi cantada na íntegra e com uma beleza que não se atribui apenas aos participantes da leitura, mas também pela peça que por natureza é lindíssima. Eu gostaria de poder estar na platéia para ter um discurso como ouvinte, mas não pude perder a chance de estar mais uma vez no palco da Sala São Paulo, cantando Fauré.”
Chegamos agora à noite no Vale do Paraíba. Elaine ficou em Taubaté e de lá foi pra casa em Pindamonhangaba e eu fiquei em São José dos Campos e vim de carona com meus pais pra Jacareí
Gostaríamos de agradecer a todos que nos acompanharam nesta viagem e dizer que foi mais uma experiência significativa pra nós. Tudo que vimos, ouvimos e fizemos foi importante pra entendermos como fazer e porque fazer música. Trouxe-nos mais significados (já que sempre precisamos apresentar muitos) pro fazer musical e nos inspirou a continuar nosso trabalho aqui com vocês e com quem conosco quiser fazer música.
Agradeço aqui especialmente à Elaine por ter me acompanhado nesta viagem (pois, ela não iria esse ano) e dizer que a presença dela foi muito importante por ter me ajudado na leitura dos textos e tudo mais.
Deixo aqui um abraço a todos e espero vê-los em breve!
Hoje, oficialmente último dia de aulas do festival, finalmente tive uma grande aula de regência. Tive a oportunidade de experimentar o gestual a serviço do coro (os próprios alunos de regência) seguido das observações do professor Mário Assef. Depois de três anos seguidos neste festival pude sentir alguns passos, mas, como tudo na vida, a cada passo que se dá se descobrem mais uma porção que ainda necessitam ser dados.
De sobra ainda acabei dando entrevista pra TV PANORAMA, a Globo aqui da região de Juiz de Fora. Eles também me filmaram regendo o coro na aula de regência. Aliás, todos os dias sem exceção a TV foi ao local do festival e cobriu as aulas e os concertos. O festival movimenta muita coisa por aqui como o turismo, o comércio, a economia de uma forma geral.
Elaine conseguiu fazer uma aula com Paulo Bosísio, além de assistir todas as palestras que ele deu ao longo do festival.
O ensaio geral do madrigal foi na igreja onde seria o próprio concerto. Ainda no ensaio geral havia algumas coisas a serem acertadas. Este ano o Homero teve que trabalhar mais intensamente pra manter o padrão de qualidade dos outros anos. Pra mim o desafio foi maior por ter uma parte (ainda que pequena) de solo. Antes do madrigal entrar algumas apresentações de câmara foram feitas e pra finalizar o madrigal entrou. Como sempre, na hora dá tudo certo (na medida do possível). O padrão de qualidade sempre é bom e o público sempre adora o trabalho do Homerinho – assim o chamamos depois de um tempo de convivência -. Meu solo de alguns compassos saiu ainda que um tanto tenso, mas, foi importante pra mim enquanto regente e estudante de regência, saber o que passa o cantor solista num trabalho como esse. Compreender o cantor, suas dificuldades técnicas e emocionais deve ser o primeiro aprendizado do regente de coro, em minha opinião. No final ficamos todos felizes e satisfeitos. Cantar é realmente muito bom. Com qualidade é melhor ainda!
Amanhã arrumaremos as malas logo cedo e embarcaremos às 14h para o Vale do Paraíba. Ao chegar em casa darei notícia a todos sobre minha chegada. Desde já vos agradeço por nos acompanhar de alguma forma nesta viagem.
Hoje o Homero começou a apertar mais durante os ensaios do Madrigal. A primeira semana sempre é uma lua de mel e a segunda semana é o cotidiano. Mas ele sabe fazê-lo sem perder a ternura e o encanto pelo trabalho.
Fui ao concerto com a cravista Mayra Pereira e a flautista doce que também toca fagote barroco Isabel Favila. Depois de mais da metade do concerto me dei conta de que a Mayra foi a cravista que nos acompanhou no madrigal em 2008 e também nas aulas de canto barroco que fiz com Pedro Cury. Ela tinha acabado de chegar da Europa onde estudou na mesma escola e com alguns dos mesmos professores que o nosso maestro Altamiro Bernades estudou anos antes.
Elas tocaram Pierre Danican Phildor (1681-1731), G. P. Telemann (1681-1767), J. S. Bach (1685-1750) e Cristoph Schaffrath (1709-1763). O barroco francês tem lá sua graça, contudo, quando não se trata de Lully ou Couperin (e mais uma meia dúzia de nomes importantes) não vemos nem ouvimos nada de realmente muito especial. Já Telemann, que seria alemão nos dias de hoje, apesar de ser o “comercial” de sua época, ou seja, de sua música ser de mais fácil compreensão dentre seus conterrâneos e contemporâneos, é impressionante a diferença de estrutura formal e composicional em relação ao primeiro compositor citado que nasceu no mesmo ano que ele. No entanto Bach sempre chega roubando a cena. Nele a estrutura ganha profundidade e significado. A peça apresentada de sua autoria foi a única para cravo solo neste concerto. Foi a Sonata em ré menos BWV 964.
Quando assistimos um concerto de cravo não podemos esperar variedade de timbre, mas, variedade de música dentro do mesmo timbre. Não sei como é possível, mas sei que ouvimos a melodia quando está na voz mais aguda, no meio ou na voz mais grave e essa sutileza que é interessante num concerto desse tipo. Quem chega com uma audição superficial corre o risco de não gostar e achar monótono. No entanto quanto maior a bagagem e a percepção musical do ouvinte maior será o aproveitamento desse concerto.
A última peça, de Schaffrath teve solo de fagote barroco. Ele tem uma sonoridade mais seca e mais leve que o fagote “atual” e pelo jeito a afinação é bem mais difícil também. Mesmo assim Isabel Favila deu show de execução e impressionou pelo entrosamento e musicalidade junto à cravista Mayra Pereira. Foi um excelente concerto!
Hoje o ensaio do madrigal teve a participação das flautas doces, do violino barroco, do violoncelo barroco e do órgão positivo. Eu (tenor 2), o tenor 1 e o baixo atuamos como “solistas em trio”. O maestro Homero está levando o ensaio pra frente para que dê tempo de aprontar tudo. Já estamos na fase do acabamento, mas, algumas coisas estão sendo construídas juntas. Parece que estamos construindo um edifício de cinco andares.
O concerto de hoje foi na igreja São Sebastião, em frente uma das principais praças de Juiz de Fora (Praça Halfeld). Quem se apresentou foi o Quarteto Bosísio liderado pelo violinista Paulo Bosísio (primeiro violino). Acompanham-no Carlos Mendes (segundo violino), Dhyan Toffolo (viola) e Mateus Cecatto (violoncelo). O programa foi uma obra de Joseph Haydn chamada “As sete últimas palavras de Cristo na cruz”. Trata-se de uma obra programática que conta com um narrador que lê trechos bíblicos que narram os últimos momentos de Cristo na cruz. Em cada uma das sete reflexões de Cristo há uma música, normalmente, uma sonata. Há uma “L’introduzione” e um final – Il terremoto.
O quarteto é formado por músicos muito experientes de dispensa comentários. A única coisa que vale a pena observar é que um quarteto de cordas em muito se parece com um grupo vocal. Os problemas de afinação são os mesmos. Mas existe a “desafinação” individual e a “desafinação” do grupo. Afinar-se individualmente é o primeiro trabalho a ser feito. Afinar com o grupo já é outra história. Requer tudo aquilo que sabemos ser necessário para estar tudo no lugar...e dá muito trabalho!
Apesar de uma desafinação aqui ou ali, típica dos instrumentos não temperados (como a voz, por exemplo) não interferiu no trabalho musical do grupo que em todos os outros aspectos foram muito bons – ataques, finalizações de frases, dinâmicas, articulações e timbre. O grupo apesar de ter história desde os anos de 1980, com esta formação é novíssimo. Estão juntos desde o ano passado apenas. É um grupo que ainda vai dar muito que falar, embora já se tenha muito pra falar a respeito.
Bom...vou ficando por aqui porque amanhã teremos nosso último dia de aula. Quinta-feira serão as apresentações da sala de regência (se é que vai mesmo acontecer) e a do madrigal (que com certeza vai acontecer). Sexta-feira embarcaremos às 14h, Elaine pra Taubaté e eu pra São José dos Campos, e de São José pra Jacareí. Mas ainda amanhã temos o último concerto para assistir e eu postarei aqui meus comentários sobre o último dia de atividades didáticas do festival.
Hoje foi um dia relativamente tranqüilo para nós. Logo cedo fomos eu e Elaine a uma igreja luterana perto do apartamento que estamos. Apesar de não haver um coral cantando como na época de Bach, podemos reconhecê-lo nas melodias dos hinos cantados pela assembléia.
À tarde conseguimos descansar e estudar um pouco. Elaine com o concerto de Bach e eu com as músicas do madrigal e da classe de regência.
O concerto da noite foi com a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo dirigida pelo maestro Helder Trefzger. A orquestra apresentou “Prelude and Fugue – The Spitifire” de Willian Walton, Concerto para harpa e orquestra de Radamés Gnatali e Sinfonia em Ré menor de Cesar Franck. O prelúdio de Walton remete às marchas militares tocadas nas escolas americanas pelas bandas sinfônicas estudantis de altíssimo nível.
Já o Concerto para Harpa de Gnatali foi o ponto alto desta apresentação. A escrita de Gnatali impressiona por ser dissonante sem perder a ternura. Apresenta a dissonância de maneira doce e gentil. Sua sonoridade, principalmente nas cordas e madeiras, lembra as melodias harmonizadas da MPB na época da bossa-nova. Aliás, ele a influenciou fortemente tendo sido professor do nosso querido Tom Jobim.
A atuação da harpista que é integrante da orquestra (Cristina Carvalho) foi brilhante. A harpa é um instrumento que remete à antiguidade, ao Egito e mesmo à Grécia antiga, que tinha Orfeu com sua lira feita das tripas de um animal. Dizem que foi ele quem deu som à poesia e criou a canção. Dessa mesma forma, com a canção, seduziu o Caronte (barqueiro que conduzia as almas à morada de Ades) e buscou Eurídice na grande lenda da mitologia grega Orfeu e Eurídice. Realmente a harpa hipnotizou o público do Cine Teatro Central em Juiz de Fora que parecia imóvel nas poltronas e com olhos arregalados durante o concerto de harpa. As melodias doces eram mescladas com contrastantes acordes dissonantes, mas, tudo com muito bom gosto e sutileza. Para este número Radamés deixou apenas as cordas da orquestra acompanhando a harpa solista.
A sinfonia de Cesar Franck traz o peso da tradição da música francesa. Rica em combinações timbrísticas ela também encanta pelo melodismo e sutilezas harmônicas típicas dos compositores da terceira geração de românticos com modulações surpreendentes que contrastam com densidades sonoras e efeitos que não nos deixam perder a atenção um só segundo.
A orquestra em todo repertório se apresentou com classe e competência. É curioso como um estado tão pouco falado (ao menos no sudeste) como é o Espírito Santo tem uma orquestra tão consolidada e de alto nível. Na doutrina cristã o Espírito Santo representa a sabedoria, então, não deveria nos espantar que tal grupo honre essa dádiva e mostre ao mundo sua sabedoria musical. Ao menos por causa dessa orquestra o Espírito Santo deveria ser mais falado...e bem falado!
Fico por aqui, pois, amanhã retornaremos à rotina de aulas, ensaios e concertos. Estejam certos que darei mais notícias.
Grande abraço a todos!
O festival está exatamente no meio considerando a quantidade de aulas que teremos. Os trabalhos dos grupos estão estabelecidos e a partir de segunda-feira os ensaios serão mais intensos, pois, as apresentações serão na quinta-feira.
Dei uma passada na sala do violinista Luis Otávio Santos e o vi falar com um aluno sobre afinação. Apenas nessa meia-hora de aula já me ascendeu muitas idéias mesmo porque ele falava sempre da possibilidade de afinação natural com os grupos de cordas e grupos vocais.
O concerto da noite foi algo especial. Trata-se do grupo de música antiga da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). O grupo dirigido pelo musicólogo Domingos Sávio Lins Brandão dedica-se à pesquisa do repertório colonial, especialmente na região de Minas Gerais tal qual a maneira de execução e construção das réplicas dos instrumentos antigos. O quarteto vocal que acompanha o grupo instrumental é formado exclusivamente por homens para remeter à prática da música sacra nas igrejas mineiras do século XVIII quando apenas estes atuavam nos ofícios litúrgicos.
A sonoridade do grupo é um tanto exótica e diferentemente da estética apresentada pela orquestra barroca de Luiz Otávio Santos, que apresenta um repertório europeu consolidado, o grupo da UEMG apresenta fragmentos de melodias de caráter medieval e os efeitos obtidos pela instrumentação reforçam o caráter antigo até mesmo pela “imprecisão” na afinação e característica rudimentar dos timbres. O concerto encantou ao público de uma forma geral que não se continha em assistir sentados nos bancos da igreja do Rosário e levantavam ou colocavam-se nas laterais para poder observar mais visualmente os instrumentos antigos nunca antes visto talvez pela maioria de nós.
No final de semana vamos estudar, já que não haverá aulas, pois temos muitas leituras a serem colocadas em dia. Elaine (violino), que me acompanha nesta viagem assistiu durante toda semana palestras com o violinista Paulo Bosísio e fez aulas práticas de instrumento com Marena Sales, que assim como Bosísio também é do Rio de Janeiro. Ela está trabalhando o Concerto em Mi Maior para violino de Bach. Vamos tentar descansar e estudar apesar do pouco tempo.
Continuarei escrevendo à medida que novidades forem acontecendo. Deixamos aqui um abraço para todos.
Comecei hoje a ensaiar a peça que provavelmente vou reger na apresentação da sala de regência do festival na próxima quinta-feira na parte da manhã. É o Sepulto Domino do Pe. José Maurício Nunes Garcia. Foi uma breve leitura que continuará amanhã. Quando estudo a música em quaternário o professor pede para reger em binário para dar mais fluência à peça. Quando estudo a regência em binário o professor pede em quaternário para dar mais peso e dramaticidade, ou seja, como diria minha amiga Lana: “aluno sempre entra pelo cano!” hahaha...
No madrigal apareceram mais três peças. Uma é um coral de Bach, provavelmente de alguma cantata. Não houve tempo para perguntar qual era o BWV, mas, iremos saber mais cedo ou mais tarde. Outro Purcell apareceu por lá também. É o “The bashful Thames”. Um outro inglês cujo sobrenome é Humfrey também apareceu dentre os compositores ingleses. Homero diz que não há um quarto compositor inglês...hahaha...apenas Byrd, Purcell e Humfrey. A peça dele é aquela que eu e mais dois meninos faremos os solos. Chama-se “By the waters of Babylon”. É uma peça extremamente dramática e de difícil leitura por tantos cromatismos. Aliás, este é o ano dos cromatismos! Todas as peças, com exceção do Bach, têm cromatismos complicados.
Coincidência ou não, está aí uma missão para este festival: desvendar mitos. Vários deles já foram desvendados nas outras postagens deste blog e aqui vai mais um mito por água a baixo: música da renascença e do barroco não tem dissonância...hahahaha! Basta ler e cantar um Purcell que veremos que dissonâncias não são propriedades da MPB, do jazz, da música do sec. XX, do romantismo ou do classicismo. Vemos a gênese da dissonância nos geniais compositores da renascença e por mais que ouçamos isso ou aquilo nas aulas de história, contraponto ou harmonia, não há nada como botar a mão na massa e experimentar na prática essa música que é completa e continua atual, mesmo com 600 anos de existência.
Hoje não fomos a nenhum concerto. O cansaço chegou a um limite de não conseguirmos fazer outra coisa se não dormir, mesmo porque o que vem por aí é correria para preparar as apresentações da semana que vem.
Apesar de estar muito legal tudo por aqui sinto saudades. Deixo um abraço a todos!
Hoje fizemos o primeiro ensaio do madrigal com o maestro Homero. Lemos uma peça de Thomas Weelkes (1575-1623) chamada “In Pride of May” a 5 vozes (SSATB); de Claudio Monteverdi lemos o primeiro madrigal de um conjunto de 8 madrigais também a 5 vozes; e por fim, de Henry Purcell “Hear my prayer, O Lord” a 8 vozes, onde cada uma das 4 vozes têm divises. Grande parte do grupo são novos no madrigal e dentre as sopranos descobri uma moça da Letônia. Ela falou da forte tradição do canto coral no país e demonstrou satisfação com o trabalho do maestro Homero.
O concerto da noite foi do conjunto Sacra Vox do Rio de Janeiro regido pela maestrina Valéria Matos. Este grupo é vinculado à Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O grupo é formado por 16 cantores e uma pianista. O repertório tinha compositores românticos como Anton Bruckner (1824-1896), Johannes Brahms (1833-1897) e Felix Mendelssohn (1809-1847); compositores do Brasil colonial como Francisco Manuel da Silva (1975-1865) e Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767-1830); e como encerramento do concerto realizaram uma peça de Johann Hermann Schin (1586-1630) e por fim os corais da cantata BWV 21 de4 Johann Sebastian Bach (1685-1750).
Os corais cariocas costumam apresentar aspectos diferentes dos corais paulistanos. A preocupação com algumas padronizações de texto e timbres, por exemplo, é uma marca mais presente nos coros paulistanos (ainda que não dentro do ideal) que nos coros cariocas. Já esses se preocupam mais com questões interpretativas como dinâmicas e efeitos de caráter dramático, ou seja, o trabalho musical costuma ser mais intenso. Uma pequena abertura foi feita com um quarteto (SATB) formado por cantores do coro. Cantaram graciosamente algumas peças do renascimento francês. Este quarteto demonstrou mais equilíbrio entre as vozes e um trabalho timbrístico mais uniforme que o próprio coro. De uma forma geral o coro fez uma boa apresentação. As partes homofônicas soavam bastante “massudas” e cheias de vigor. Os trechos contrapontísticos e repletos de coloraturas (no caso de Bach) também apresentaram bons momentos. Creio que o coro está no caminho certo mesmo porque devemos considerar que tratam-se de vozes ainda muito jovens.
Vou ficando por aqui porque tenho que estudar os textos do repertório do madrigal. Um grande abraço a todos e obrigado por acompanharem nosso blog.
Hoje passei pela classe do cravista Alessandro Santoro que estava trabalhando com um aluno a realização do contínuo com uma ária de Monteverdi. Ele falou da importância de conhecer o repertório, a técnica e o idioma do cravo para fazer bem o baixo contínuo.
Depois passei na classe do maestro e musicólogo Sérgio Dias que está falando durante o festival sobre metodologias de pesquisa na área musical (musicologia). É impossível falar de história da música sem falar de história geral e essa é a parte interessante. Pessoas cercadas de muita informação e conhecimento em diversas áreas quando falam de um assunto, como história da música ou da arte, que já é um assunto fascinante por natureza, instigam e despertam ainda mais a curiosidade de quem ouve. Torna-se muita interessante o trabalho da pesquisa, pouco explorado e valorizado no Brasil, e se realizado de maneira séria pode trazer muita contribuição para as áreas da performance e da pedagogia musical.
Na parte da tarde tivemos o segundo ensaio com o maestro Homero, que me pediu para ler uma peça onde há um trio (B T2 e T1) onde farei a parte de tenor 2, ou seja, será uma peça cantada pelo madrigal que dialogará com um trio no concerto do dia 29. Eu aceitei na hora! As peças deste ano estão repletas de cromatismo. Lembrei muito do JOVEM CANTO que têm algumas peças com esses cromatismo. Claro que são “fichinhas” perto dos cromatismos cabeludos de Purcell e Monteverdi...hehe...mas, se continuarem se empenhando nas nossas manossolfas, logo estarão cantando essas “pedreiras” do repertório, que tirada a dificuldade de leitura e realização, são MARAVILHOSAS!
Fomos à noite ao concerto de cravo com o francês de apenas 25 anos, Benjamin Alard que executou peças avulsas de François Couperin (1668-1733) e de Johann Sebastian Bach (1685-1750) a Suite Francesa BWV 814 e a Partita nº4 BWV 828. Não há muito o que dizer sobre a atuação do jovem francês. Todos puderam perceber sua precisão e virtuosismo além de profundo conhecimento do estilo. As vozes (linhas melódicas) sempre muito claras e bem definidas. Mais uma vez a boa realização de um excelente músico desmente o mito de que o cravo não tem dinâmica.
Abraço a todos!
RODRIGO.
ALESSANDRO SANTORO - cravo
LUIZ OTAVIO SANTOS (dir. artistico do festival - violino)
Hoje tivemos a primeira aula de regência com Mário Assef. Basicamente as pessoas se apresentaram e contaram sua experiência profissional.
Fiz minha inscrição no madrigal do Homero Magalhães Filho. Os ensaios começarão amanhã à tarde. Quem fez parte do madrigal nos outros anos não precisa fazer teste. Fiquei sabendo que a procura está grande e por isso ele disse que seria mais criterioso nas escolhas...oba! rs
Fomos à noite no concerto da Orquestra Barroca do Festival dirigida pelo violinista Luis Otávio Santos. Foi um grande concerto! No repertório tinham suítes e sonatas do austríaco Georg Muffat (1653-1704) que dentre os compositores barrocos europeus foi quem absorveu muito bem o estilo francês e o estilo italiano, que opunham-se e suscitavam posições partidárias. Muffat é responsável por aquilo que o musicólogo Nikolaus Harnoncourt descreve como “os gostos reunidos”. As suítes de Muffat lembram claramente as suítes de Jean Baptiste Lully pelo timbre característico do oboé com os violinos, pela forma característica da overture francesa e dos movimentos de dança, além dos ornamentos realizados de maneira rigorosa. As sonatas, por sua vez, remetem ao estilo italiano de Arcangelo Corelli e sua forma de desenvolver o concerto grosso onde o concertino (2 violinos, cello e contínuo) dialogam com o tutti (toda a orquestra), pelo melodismo e ornamentação mais livres.
Por fim tocaram a suíte nº 4 de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Bach como sempre é diferente de tudo que ouvimos. Ao contrário dos Franceses e italianos, “imitados” muito bem por Muffat, as seções de cordas, madeiras e metais ganham autonomia e mesmo entre si desenvolvem linhas completamente diferentes. O trabalho polifônico de Bach se dá dentro de cada naipe. Além das cordas, madeiras (oboés e traverso) e contínuo (cello, contrabaixo e cravo), nesta suíte também tiveram percussão e metais (3 trompetes naturais). A orquestra se reorganizou com as seções bem separadas – as madeiras sentaram à frente da orquestra – pra enfatizar a escrita ricamente polifônica e timbristicamente de Bach.
A orquestra toca com instrumentos de época e é dirigida pelo spalla Luiz Otávio Santos que rege tocando o violino à frente da orquestra. Tudo que se diz como “interpretação historicamente informada” estava lá. As articulações que é a primazia do barroco, as fermatas, cadências, respirações e ligeiras mudanças de andamento eram executadas com grande precisão. Essa precisão muito provavelmente diz mais respeito a um profundo conhecimento estilístico por parte do grupo e de seu diretor do que uma detalhada notação de sinais e símbolos musicais precisos a cada nota tocada, compasso ou parte. Só é possível todos articularem, atacarem, sustentarem ou respirarem juntos se há uma boa orientação na preparação, mas, se há conhecimento de tal idioma musical. Isso tudo a orquestra já mostrou – não só desta vez – que tem, mas, o talvez o diferencial dessa orquestra para as outras orquestras da Europa do mesmo gênero seja o fato de serem brasileiros. Não podemos ignorar que todos têm no sangue o swing herdado de nossos ancestrais e não interessa se tocamos Bach ou Pixinguinha...sempre vai ter um swing especial.
Desculpem a falação, mas, não dá pra deixar passar. Um grande abraço a todos e obrigado por acompanhar nosso blog.
RODRIGO.
ORQUESTRA DO FESTIVAL NA EDIÇÃO 2009
PARA VOCÊ CONHECER UM POUCO DE Georg Muffatt
A SUITE ORQUESTRAL (também chamada ABERTURA) de BACH BWV 1069
17/jul/2010 - Estou me revezando entre arrumar as malas, dar atenção aos meus dois pequenos sobrinhos e assistir aos vídeos de um coro que a Sirlei me mandou no Orkut. Sempre fica uma expectativa por mais que não seja novidade participar deste festival. Aulas pela manhã, ensaios à tarde e concertos à noite. Serão 13 dias seguidos nessa rotina. O festival começa hoje, 17 de julho e termina dia 31. Ficarei até o dia do concerto em que cantarei com o Madrigal sob regência do maestro Homero Magalhães Filho, dia 29. Durante esses dias reportarei a todos sobre as aulas, ensaios e concertos. Parto hoje às 19h de São José dos Campos e devo chegar a Juiz de Fora por volta das 2h da madruga. Espero que todos curtam essa jornada.
Queridos membros da Academia Concerto, que saudades de todos!!! Lamentamos não conseguir postar nos últimos dias de Praga mas tínhamos apenas 3 dias aqui para pesquisar e assistir muita coisa então não sobrava muita energia hehe. Mas prometemos contar tudo e continuar relatando o que vimos e ouvimos nessas duas semanas assim que estivermos em Sorocaba. Os comentários técnicos serão feitos nos ensaios de cada grupo e iremos assistir, analisar e estudar mais de 60 horas de excelentes concertos corais que estamos levando!!!
Estamos no aeroporto de Praga a poucos minutos do embarque. Chegamos em SP amanha de madrugada!
Até!!
Agradecemos a todos que nos acompanharam, as palavras de boa viagem, incentivo, carinho e orações!
Pegamos o trem em Sopot pontualmente as 6h44! Descemos a Polônia de alto a baixo, literalmente. É um país que ainda se recupera das marcas da cortina de ferro. Um país simples, bem rural. Não tivemos problemas com a enchente embora tenhamos visto alagamentos pela janela do trem. Os trens ainda são muito antigos mas confortáveis. Ainda existe instruções nos vagões em russo da época do comunismo....entendemos tudo,rsrsrsr!
Viajamos 12h até Cracóvia.
Deu tempo de fazer um rápido tour de taxi, comer e embarcar num confortável vagão leito. Dormimos a noite toda com o balanço do trem e acordamos em Praga.
Tivemos um dia cheio e teremos outro amanhã. Vamos dormir e amanhã contaremos nosso primeiro dia na cidade com os coros da Radost.
Segundo dia das provas do festival - música secular. O mais difícil de todos. O nível está altíssimo, o que dá mais trabalho para o juri decidir. Além de julgar os coros, o juri tem que divulgar os finalistas que vão disputar o Grand Prix - prêmio máximo do festival.
Dos 19 coros 3 foram indicados para essa posição. Dos 3, 2 são coros jovens. Isso nos deixa satisfeitos com o futuro da música coral.
No período da tarde houve um workshop sobre a música vocal de Chopin. "Chopin in many voices".
A noite assistimos um concerto com 4 coros do festival:Karlshamn Chamber Choir, Sweden
Youth Choir TEMASEK, Singapore
University of Santo Tomas Choir, Manila, Philippines
Sopot Festival Choir Mundus Cantat, Sopot, Poland.
Como sempre os filipinos foram impecáveis e fizeram grande sucesso sendo aplaudidos entusiasticamente em pé. Retornaram para um BIS.
Dia dos resultados das provas.
Pela manhã os 3 coros indicados para o Grand Prix se apresentaram para o juri. Cada coro cantou 2 músicas.
À tarde o juri recebeu os regentes dos coros concorrentes na Prefeitura de Sopot para uma rápida conversa individual sobre o desempenho de cada grupo e sugestões.
Às 18h - Estava uma tarde linda com muito sol.
Concerto de 4 coros premiados com diploma ouro num palco especial do Píer que tinha como fundo o prédio ( uma nova galeria da cidade ) e os coros cantaram com vista para o mar Báltico; Entrega de todos os Diplomas de premiação.
Grande coral com todos os componentes cantando Gaude Mater Polonia, An Irish Blessing e uma peça de Chopin.
O vencedor do Grand Prix foi o Coro da Uversidade San Thomas- Filipinas
Depois, festinha com comida gostosa, excelente música ao vivo à beira mar....!
Estamos devendo as fotos dos 2 últimos dias....assim que houver chance postamos.
Passamos um agradável com a família Tomschak ( Pró-Reitor da akademia de Música de Gdánsk )
Delicioso churrasco, conversas musicais... com a incrível hospitalidade polonesa.
No final da tarde ele nos levou para caminhar num dos pontos mais belos de Gdánsk: delta do rio que passa pela cidade no encontro com o mar Báltico. Chegou a fazer calor hoje e vimos o por so sol de um pequeno barco a vela (nosso taxi ).
À noite assistimos o último concerto em solo polonês. Audição dos alunos dos cursos de Jazz Vocal, Musicais e Dança...
Sim, existe curso superior nessas áreas aqui! Interessante ouvir os polonese cantando jazz e com direito a música brasileira "Água de Beber".
Fizeram também o arranjo que o Cantilena canta do "Singing in the rain".
Hora da despedida dos amigos poloneses e fazer as malas. Amanhã embarcamos para Praga e passaremos 24 horas viajando de trem ( escolha pessoal para conhecer mais do interior do país ). Temos conhecimento das inundações no sul da Polônia mas onde estamos nem choveu! Esperamos não ter problemas amanhã na viagem. Na próxima terça escrevemos mais. Bye,bye
Assistimos o brilhante coro The Elisabeth Singers de Hiroshima – Japão. Eles vieram como coro convidado em turnê. Não fazem parte da competição. Coro formado por músicos. Apresentaram um repertório totalmente dedicado à musica coral japonesa moderna (sec. XX e XXI). Foi como assistir o AVATAR em 3D!!! O concerto iniciou com o coro totalmente espalhado, produzindo sons e efeitos sobrepostos. As vozes femininas andando pela nave da igreja e as vozes masculinas no altar entoando um cantus firmus. Isso, na incrível acústica medieval da Basílica St. Jerzego em Gdánsk, gerou um efeito tridimensional na audiência.
Todas as peças eram de grande efeito, com acordes e intervalos complexos mas executados com clareza e precisão nipônicas!
Coro extremamente disciplinado com vozes especiais desde o mais agudo soprano – super agudo mesmo!!!- até o baixo mais profundo.
O maestro Chifuru Matsubara conduziu o coro com gestos simples e eficazes. Em algumas peças foi utilizado instrumentos de percussão japoneses como Taiko. Foram aplaudidos longamente em pé! Um concerto para não esquecer!!!
Local ( agora reformado) das apresentações no Píer de sopot
Camerata Vocal (??) Parece, ne? Este é um coro masculino da Akademia de Música de Gdánsk. Cantaram S
Parte do público presente na abertura
Dia longo!!!
Início das provas do Festival Internacional de Coros Mundus Cantat-
Maestro Altamiro e os outros jurados ( apenas outros 2 poloneses, pois o maestro americano não conseguiu vir ao festival por problemas com vôo ) iniciaram a difícil tarefa de avaliar os coros participantes.
Notamos a presença de vários coros jovens nessa edição do festival. Eles são de várias partes: Singapura, Polônia, Ucrânia, mas todos com excelente qualidade musical e vocal, que emocionou a todos. Nos fez sentir saudades e imaginar o quanto o nosso Jovem Canto pode crescer.
As provas não são mais na mesma igreja (St. George). Pela primeira vez estão na igreja St. Gewiazda Morza, que fica ao lado da prefeitura. O interior é parecido com a primeira, porém mais ampla e clara; acústica igualmente excepcional.
As 16h iniciou o tradicional desfile (Parada Show) descendo pela Monte Cassino Street até o píer na principal praia de Sopot. Agora o desfile passa por dentro de um novo shopping(!!!) até sair pelo outro lado e chegar ao novo local do concerto de abertura, realizado num palco de alvenaria com teto em gesso, boa acústica e excelente sistema de som. Lana tomou um capuccino neste shopping: 15 zlots!!
Hoje tivemos pela primeira vez um dia inteiro de sol e até um pouco de calor, que ajudou o clima de confraternização neste dia. A Monte Cassino Street se encheu do colorido dos diferentes uniformes e bandeiras dos países e dos sons mais peculiares de cada língua- pois cada grupo desceu cantando música do seu repertório.
Os jurados desceram na frente e tentaram cantar um cânone de W. Amadeus Mozart....rsrsrsrsr.... não deu certo. Eles são melhores regentes que cantores...
Cada coro cantou 2 peças no palco, totalizando mais de 2h de música coral internacional de alto nível: música sacra, erudita, folclórica, jazz, barbershop, trilha de cinema, gospel.
Os cantores tem de 8 a 80, literalmente! O canto coral é um dos trabalhos humanos mais democráticos que existe: pode ser que a sua verdadeira beleza esteja neste fato!
Para completar o dia atravessamos Sopot para um dos locais que nos trazem boas lembranças de 2008: O Seminário ao lado da igreja St. Zeslania Ducha onde ficamos hospedados com o Camerata Vocal. Fomos lá para assistir o concerto de 4 coros do festival. Igreja cheia.
Coro Masculino de Alunos - Academia de Musica de Gdansk
Marek Pijarowski e Altamiro Bernardes
Alunas de Dança
Ensaio da Polish Baltic Philarmonic
Coro feminino
Ensaio
Passamos uma manhã na Academia de Música de Gdánsk, na sala de concertos que traz ótimas recordações ao Camerata Vocal...assistimos uma audição dos alunos para uma platéia de crianças de 3 escolas de 1ª a 4ª série. A sala estava lotada!
As performances foram de canto, regência, dança, jazz , ginástica artística e ballet contemporâneo.
A regência dos grupos, bem como as coreografias, foram de responsabilidade de alunos que estão se formando no fim do mês. O resultado artístico já soava profissional embora os formandos fossem bem novos.
Mais tarde fomos conhecer as instalações da Filarmônica de Gdánsk. Uma antiga usina de energia transformada em sala de concerto e centro de convenções. Além de uma ótima sala principal - em forma de arena, possui 4 salas de música de câmera e estúdio de gravação – um dos melhores da Europa.
O Foyer do prédio é usado para exposições e atualmente exibe algumas obras de um pintor polonês , que faleceu há 2 anos, que dedicou sua carreira a pintar um quadro para cada obra do compositor F. Chopin. Muito interessantes fazer a comparação da imagem do quadro com a peça para piano.
Tivemos a honra de conhecer o maestro titular Marek Pijarowski e assistimos ao ensaio da Sinfonia IV de Tchaikovsky. A orquestra tem um som maduro e agradável e a regência é clara e precisa.
Fomos recebidos no ensaio do coro da Universidade de Gdásnk ( uma universidade pública muito bem conceituada, com 40 anos de existência ). Ouvimos apenas o ensaio de naipe das vozes femininas...fan-tás-ti-co. Esse coro é formado por alunos de diversos cursos- detalhe: nesta universidade não há curso de música- mas todos que desejam cantar passam por um teste em que se exige leitura musical e técnica vocal. No coro também canta ex-alunos e funcionários da universidade- o total: 90 vozes. O regente do coro é o Maestro Marcin Tomscak, professor de regência, vice-reitor da Academia de Música de Gdánsk, jurado e diretor artístico do Festival Mundus Cantat.
Assistimos um ensaio com um repertório moderno de alto grau de dificuldade. O maestro é bastante exigente com a qualidade das vogais a ponto de ouvir individualmente os membros do coro até ter certeza de que todos estão com a mesma cor de vogal.
O clima no ensaio é agradável, como os nossos...porém são muito focados!
O jovem assistente do maestro se lembrou de ter assistido o concerto do Camerata Vocal na Academia de Música de Gdánsk em 2008, além de ter ouvido uma das provas do Festival.
Fomos convidados a assistir o último ensaio para o concerto de formatura de um dos alunos do maestro Marcin. Foi numa das muitas igrejas de Gdánsk- lindíssima e perfeita para canto coral a cappella- O coro era da paróquia, uma exigência da faculdade para que o formando demonstre ser capaz de preparar um coro amador para um concerto. Entendam esse “coro amador” como um coro capaz de realizar um repertório de alto nível sempre....
No repertório havia peças polifônicas complexas, música sec. XX bem como peças acompanhadas por órgão de tubos.
Após essas atividades o maestro nos convidou para tomarmos um agradável café em sua residência ( UAU!) em que conversamos sobre vários assuntos ligados a música coral.
Olá....nossa viagem não poderia começar melhor: no ano do bicentenário do nascimento de F. Chopin, estamos na Polônia, sua terra natal, e ouvimos um recital de piano com suas obras por uma das mais brilhantes jovens pianistas da atualidade. Finalista do famoso concurso internacional de piano Chopin em Varsóvia. Esse concerto foi numa sala na prefeitura de Sopot . No mesmo programa o coro anfitrião do festival "Mundus Cantat Chamber Choir" interpretou peças de Chopin - que originalmente escreveu para solo - arranjadas para coro a 4 vozes por arranjadores poloneses. Este concerto abriu oficialmente a programação do Festival Internacional de Coros- Mundus Cantat 2010
À noite participamos de um concerto comemorativo pelos 20 anos de emancipação da cidade de Sopot. Várias autoridades da política e da cultura no auditório do Hotel Sheraton, onde ouvimos o brilhante pianista e compositor Leszek Mozdzer....vcs ainda vão ouvir falar dele...um gênio que domina com grande criatividade as técnicas de composição e arranjo, transcendendo o tempo, o genero, a forma e o estilo...
Toda a programação do dia foi realizada pela BART - Baltic Artistic Agency- que também é a agència oficial da Academia Concerto na Europa.
Jantar de Boas Vindas na casa da Família Stankowska
Querido membros da Academia Concerto, perdoem a falta de noticias (e de acentos no texto), mas o que deveria ser facil e simples no sec XX,I como conectar-se a rede, nao foi nos ultimos 3 dias!!
Chegamos bem a Gdansky no ultimo sabado depois de muito stress em SP devido ao trafego. Quase perdemos nosso voo mesmo tendo saido 6h antes de casa!! Gracas a habilidade do meu cunhado e de algumas manobras nao permitidas pela lei, fomos os ultimos a embarcar e aqui estamos!
Em Frankfurt, gracas ao atraso do voo do Brasil perdemos nossa conexao para Gdansky o que nos deu tempo para saborerar algo tipicamente alemao: salchichas+batatas+cerveja!!
Quando finalmente chegamos em Gdansky encontramos nosso amigos Derek e Andreij exaustos e famintos devido a 3 horas de atraso, mas com a calorosa e amigavel recpcao polonesa.
Fomos recebidos com um jantar na casa da familia Stankowska e em seguida viemos para a Sala de Concertos da Opera na Floresta, onde estamos hospedados nas instalacoes destinadas a maestros e solistas convidados.
No proximo post eu conto dos primeiros concertos de ontem!
Queridos membros da Academia Concerto!! Estamos de partida daqui a pouco!! Torçam por nós e acompanhem nossa viagem pelo BLOG!! Estamos representando todos vocês lá!
Próximo dia 13 de Maio inicia-se o Mundus Cantat 2010 na cidade de Sopot na Polônia. A grande novidade deste evento para este ano é a presença do Maestro Altamiro na composição da mesa de jurados.